"O Microfone" da Mariana Cabral

Esta manhã recebi uma mensagem de um amigo que me dizia "Lê o artigo da Mariana Cabral, vais gostar e perder esse odiozinho". Se há coisa que me irrita é que me tentem demover dos meus ódios mas aceitei ler o tal artigo.

Entrei no site do Expresso relativo ao Euro 2016 (http://euro2016.expresso.pt/) e saltou-me logo à vista que o artigo da Mariana era o único sem foto.

ArtigosOpiniao

Quando o tentei abrir, bati com o nariz na porta.

ContinuarALer

Achei curioso porque os restantes artigos estão todos completos

 

Este "boicote" atiçou-me a curiosidade e decidi investir para consumir um artigo que alguém no expresso se deu ao trabalho de esconder. Não me arrependo do dinheiro gasto: o artigo é deveras bom, mas arrependo-me de ter contribuído para a conta do expresso.






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O artigo é o que é e aborda o que aborda mas teve um condão muito particular. O condão de deixar no ar um cheiro bafiento a lápis azul proveniente de alguém no expresso que não permitiu a uma jornalista sua ter um artigo visível como TODOS os outros em destaque.

A Mariana Cabral, com quem discordo muitas vezes e a quem talvez até tenha exagerado na ofensa, teve a coragem de meter o dedo na ferida sobre a real função do correio da manhã e o expresso, tal como fez com os Panama Papers, enfiou a viola no saco e não deixou que se tocasse nem mais uma nota. Não é de admirar, um dos "directores", Pedro Santos Guerreiro, já tinha escrito um artigo ontem de muito mau gosto a falar para Cristiano Ronaldo.

ArtigoPSG






Deixo o artigo completo abaixo, como texto, para poderem ler à vontade.

Ainda não tinha visto sol desde que estou em França, mas hoje o dia amanheceu lindíssimo: soalheiro e com temperaturas de 3o graus, fazendo-me esquecer a inveja dos amigos que estão no Algarve na boa vida. Era dia de jogo, Portugal ia ganhar 3-o (dizia o Zandinga que há em mim) e o ambiente era idílico em Lyon, tirando os mosquitos que afligem quem trabalha no estádio. Até que Ronaldo decidiu mandar um microfone da CMTV para um lago. As redes sociais explodiram, a tenda da comunicação social também e eu, confesso, ri-me - que me desculpe o colega do microfone. Pelo menos foi o momento mais criativo - por ser tão inesperado - de Ronaldo nas últimas duas semanas, dentro ou fora de campo. Depois, arrumada a risota, há duas maneiras de olhar para este assunto.


A primeira é a visão responsável de quem vive num mundo ideal. Ronaldo é capitão da seleção, está a passear com os colegas na rua e não pode tirar o microfone a quem está a tentar trabalhar, porque há liberdade de imprensa e o jornalista só estava a perguntar pelo jogo. E a "birra", obviamente, corre mundo e não dá boa imagem nem ao jogador nem à seleção. Só que nada é assim tão linear, claro. Não só porque os jornalistas sabem que a Federação Portuguesa de Futebol apenas permite a recolha de imagens, sem que se interpele os jogadores, mas porque o microfone era do "Correio da Manhã". E o que tem o "Correio da Manhã"?


Entramos então na segunda visão das coisas. Pondo as leis não escritas do corporativismo de lado, o que o "Correio da Manhã" tem é uma grande tendência para a perseguição de assuntos e pessoas, ignorando as mais básicas regras do jornalismo, como fez recentemente com as notícias publicadas sobre a jornalista Fernanda Câncio. É difícil pedir a Ronaldo a maior cabeça fria do mundo perante um jornal que já foi condenado por devassa da vida privada ao escrever sobre o filho do jogador ("os arguidos parecem confundir o interesse público com o interesse do público", disse então o juiz), que já o acusou de assédio a uma menor, que insinua frequentemente que o jogador é homossexual - ou seja, que se mete constantemente no que é a vida íntima de uma pessoa.


Teria sido mais educado dizer, como disse numa conferência de imprensa em 2014, "não falo com o Correio da Manhã"? Claro que sim. E o ato de Ronaldo é, evidentemente, condenável (imaginemos se fosse um político a fazer o mesmo...). Mas também se entende a falta de controle de alguns impulsos numa altura em que pouca coisa corre bem ao jogador de quem se espera(va) tudo neste Euro. Ainda ontem, Fernando Santos apelidou-o de símbolo do país e comparou-o a Amália. Depois dos acontecimentos de hoje, também o pode comparar a Fernando Pessoa. Ou melhor, a Álvaro de Campos, que um dia escreveu assim:


Ora porra!


Então a imprensa portuguesa é


que é a imprensa portuguesa?


Então é esta merda que temos


que beber com os olhos?


Filhos da puta! Não, que nem


há puta que os parisse.





Comentários

  1. Ibrahimovic de Telheiras23 de junho de 2016 às 17:46

    O artigo de ontem foi escrito recorrendo a uma boa dose de ironia e pretendia "espicaçar" Ronaldo, tal como as palavras que levaram ao golo do ano na CL - penso eu.

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  2. Tenho a certeza que foi isso que tentaram passar mas o estilo jocoso e aquele odiozinho ao Ronaldo por ser Sporting nunca deixou de existir.

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  3. Os filhos da puta da comunicação social estão com o pêlo irritadiço,...

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