2016-06-23

"O Microfone" da Mariana Cabral

Esta manhã recebi uma mensagem de um amigo que me dizia "Lê o artigo da Mariana Cabral, vais gostar e perder esse odiozinho". Se há coisa que me irrita é que me tentem demover dos meus ódios mas aceitei ler o tal artigo.

Entrei no site do Expresso relativo ao Euro 2016 (http://euro2016.expresso.pt/) e saltou-me logo à vista que o artigo da Mariana era o único sem foto.

ArtigosOpiniao

Quando o tentei abrir, bati com o nariz na porta.

ContinuarALer

Achei curioso porque os restantes artigos estão todos completos

 

Este "boicote" atiçou-me a curiosidade e decidi investir para consumir um artigo que alguém no expresso se deu ao trabalho de esconder. Não me arrependo do dinheiro gasto: o artigo é deveras bom, mas arrependo-me de ter contribuído para a conta do expresso.






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O artigo é o que é e aborda o que aborda mas teve um condão muito particular. O condão de deixar no ar um cheiro bafiento a lápis azul proveniente de alguém no expresso que não permitiu a uma jornalista sua ter um artigo visível como TODOS os outros em destaque.

A Mariana Cabral, com quem discordo muitas vezes e a quem talvez até tenha exagerado na ofensa, teve a coragem de meter o dedo na ferida sobre a real função do correio da manhã e o expresso, tal como fez com os Panama Papers, enfiou a viola no saco e não deixou que se tocasse nem mais uma nota. Não é de admirar, um dos "directores", Pedro Santos Guerreiro, já tinha escrito um artigo ontem de muito mau gosto a falar para Cristiano Ronaldo.

ArtigoPSG






Deixo o artigo completo abaixo, como texto, para poderem ler à vontade.

Ainda não tinha visto sol desde que estou em França, mas hoje o dia amanheceu lindíssimo: soalheiro e com temperaturas de 3o graus, fazendo-me esquecer a inveja dos amigos que estão no Algarve na boa vida. Era dia de jogo, Portugal ia ganhar 3-o (dizia o Zandinga que há em mim) e o ambiente era idílico em Lyon, tirando os mosquitos que afligem quem trabalha no estádio. Até que Ronaldo decidiu mandar um microfone da CMTV para um lago. As redes sociais explodiram, a tenda da comunicação social também e eu, confesso, ri-me - que me desculpe o colega do microfone. Pelo menos foi o momento mais criativo - por ser tão inesperado - de Ronaldo nas últimas duas semanas, dentro ou fora de campo. Depois, arrumada a risota, há duas maneiras de olhar para este assunto.


A primeira é a visão responsável de quem vive num mundo ideal. Ronaldo é capitão da seleção, está a passear com os colegas na rua e não pode tirar o microfone a quem está a tentar trabalhar, porque há liberdade de imprensa e o jornalista só estava a perguntar pelo jogo. E a "birra", obviamente, corre mundo e não dá boa imagem nem ao jogador nem à seleção. Só que nada é assim tão linear, claro. Não só porque os jornalistas sabem que a Federação Portuguesa de Futebol apenas permite a recolha de imagens, sem que se interpele os jogadores, mas porque o microfone era do "Correio da Manhã". E o que tem o "Correio da Manhã"?


Entramos então na segunda visão das coisas. Pondo as leis não escritas do corporativismo de lado, o que o "Correio da Manhã" tem é uma grande tendência para a perseguição de assuntos e pessoas, ignorando as mais básicas regras do jornalismo, como fez recentemente com as notícias publicadas sobre a jornalista Fernanda Câncio. É difícil pedir a Ronaldo a maior cabeça fria do mundo perante um jornal que já foi condenado por devassa da vida privada ao escrever sobre o filho do jogador ("os arguidos parecem confundir o interesse público com o interesse do público", disse então o juiz), que já o acusou de assédio a uma menor, que insinua frequentemente que o jogador é homossexual - ou seja, que se mete constantemente no que é a vida íntima de uma pessoa.


Teria sido mais educado dizer, como disse numa conferência de imprensa em 2014, "não falo com o Correio da Manhã"? Claro que sim. E o ato de Ronaldo é, evidentemente, condenável (imaginemos se fosse um político a fazer o mesmo...). Mas também se entende a falta de controle de alguns impulsos numa altura em que pouca coisa corre bem ao jogador de quem se espera(va) tudo neste Euro. Ainda ontem, Fernando Santos apelidou-o de símbolo do país e comparou-o a Amália. Depois dos acontecimentos de hoje, também o pode comparar a Fernando Pessoa. Ou melhor, a Álvaro de Campos, que um dia escreveu assim:


Ora porra!


Então a imprensa portuguesa é


que é a imprensa portuguesa?


Então é esta merda que temos


que beber com os olhos?


Filhos da puta! Não, que nem


há puta que os parisse.




3 comentários :

  1. Ibrahimovic de Telheiras23 de junho de 2016 às 17:46

    O artigo de ontem foi escrito recorrendo a uma boa dose de ironia e pretendia "espicaçar" Ronaldo, tal como as palavras que levaram ao golo do ano na CL - penso eu.

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  2. Tenho a certeza que foi isso que tentaram passar mas o estilo jocoso e aquele odiozinho ao Ronaldo por ser Sporting nunca deixou de existir.

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  3. Os filhos da puta da comunicação social estão com o pêlo irritadiço,...

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