2016-08-25

Arbitragem eficaz e o capitão do escuro


Editorial do Director do Jornal Sporting na edição de hoje, 25 de Agosto




Sabendo das minhas ligações ao mundo académico e às organizações desportivas, um amigo questionou­‑me com ar incrédulo: ­‑ “Queres ouvir esta história do meu filho?” Respondi que sim e ele relata­‑me que chegou a casa e viu o filho com ar de caso e perguntou­‑lhe o que se passava. Este, a custo e com a voz embargada, lá foi contanto. Tinha acabado de receber a nota do exame e esta não correspondia às expectativas, tivera 10 valores. A nota era positiva, podendo ser contabilizada para a média final mas os pontos obtidos tinham sabor a empate.
 O Pai sabendo das ferramentas que o filho tinha ao dispor (no mundo automóvel o equivalente a um Ferrari), questiona­‑o sobre o porquê deste resultado, se ele se teria esforçado o suficiente, senão teria tido excesso de confiança, esperando ser iluminado por força divina. De pronto, o filho assume papel de vítima, adopta uma postura de quem tem uma conduta imaculada, em que tudo o que é errado ou insucesso é responsabilidade de terceiros e apenas as vitórias são mérito seu e coloca as culpas no professor responsável pela vigilância do exame, acusando­‑o de não ter tido uma “vigilância eficaz”.
O Pai sem perceber o que ele queria dizer com aquilo, e como o ensino tem passado por tantas alterações e reformas, questiona o filho se essa tal “vigilância eficaz” é algum conceito ou procedimento novo. O filho expressando um ar de censura de quem tem um Pai que não percebe nada, explica do alto da sua altivez que não se trata de nada de novo e que é até uma prática antiga e utilizada habitualmente pela sua turma: “Oh Pai é como num jogo quando um árbitro não realiza uma arbitragem eficaz!” O Pai, um homem das artes e pouco dado ao mundo do desporto, expressou uma cara ainda mais estupefacta demonstrando a sua ignorância total, pelo que o filho se sentiu na obrigação de clarificar: “Pai, o professor não permitiu utilizar auxiliares de memória, ok?”
Um dos filmes que vi nas férias foi o “Capitão do Escuro”. O argumento resume­‑se a uma personagem, o “Capitão do Escuro”, que durante anos iluminou uma gruta. Aqueles providenciais raios de luz mereceram juras de gratidão eternas dos habitantes e sobretudo do líder supremo da gruta que repetidamente garantiu que o “Capitão do Escuro” tinha lugar vitalício na gruta. A verdade é que os anos passaram e a idade começou a fazer sentir­‑se e a chama foi enfraquecendo. O líder supremo e sua ‘entourage’ decidem então colocar em marcha um vil plano para eliminar o “Capitão do Escuro”. Consideram­‑no um velho inútil e ardilosamente começam a escorraçar o “Capitão do Escuro”. Como naquele tempo não havia internet, gravaram numa pedra: “Obrigado Capitão do Escuro e até sempre!” A história termina com o “Capitão do Escuro” a ir morrer longe. Tal como em outros tantos filmes, “qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência”.

Em Paços Ferreira, a nossa equipa conquistou mais três pontos após a vitória, com um excelente, não do “Capitão do Escuro” mas do nosso Comendador, o Capitão Adrien. A Onda Verde que invadiu a capital do móvel vai continuar a crescer e encher o Estádio José Alvalade, no próximo domingo, no jogo frente ao Porto que nos pode colocar na liderança isolada do campeonato à terceira jornada.
Na Academia Sporting, foram apresentadas as equipas dos diversos escalões do futebol feminino, um regresso que muito se saúda. Votos de maiores sucessos!
A nossa equipa de andebol venceu uma vez mais o Torneio de Andebol de Viseu. Na edição deste ano a nossa equipa defrontou e venceu nas meias­‑finais o Porto e na final o Benfica. Dois jogos em que a nossa superioridade foi por demais evidente e a vitória mais que merecida.
O futebol de praia conquistou o campeonato nacional após vencer uma final disputadíssima frente ao Braga, o detentor do título. Quase sempre em desvantagem, a nossa equipa, no último período do jogo, deu a volta ao marcador. Parabéns campeões!
Boa leitura!



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