2016-08-11

Não tenham medo que o Nunes já não manda







Depois de várias épocas como senhor todo-poderoso da secção de classificações da arbitragem nacional durante o consulado de Victor Pereira, em que espalhou o terror pelos homens do apito, José Ferreira Nunes começa a recolher os benefícios de anos de devoção à causa a que se dedicou. Depois de ter marcado presença no camarote presidencial do Pavilhão da Luz num dos jogos da final do Campeonato Nacional de Futsal – que, lembre-se, foi conquistado com mérito e sem favores pelo Sporting Clube de Portugal – continuou, no passado fim-de-semana, a sua peregrinação por terrenos benfiquistas.




No recente jogo da Supertaça, entre Benfica e SC Braga, Ferreira Nunes, um verdadeiro peão de brega, marcou presença em Aveiro para assistir à refrega sentado no camarote do Benfica em entusiástica celebração com os dirigentes encarnados.

Esta atitude é miserável e deplorável. Durante anos a fio foi este senhor quem teve o poder de decidir quem subia e quem descia de categoria, quem ganhava mais ou menos na arbitragem, enfim, quem tinha ou não emprego a ajuizar no futebol. Mas isso acabou, por mais que Luís Filipe Vieira e os seus correligionários continuem em negação. Ferreira Nunes já não manda e isso é que lhes dói.

Ao fazer-se acompanhar de Ferreira Nunes, Vieira e demais agentes benfiquistas, procuram fazer passar a ideia de que o poder e a influência que detiveram durante anos a fio se mantém, apesar de o cacique já não dispor da arma das classificações. Aquilo que se pretende é criar a perceção de que o poder que foi alterado com a entrada em funções de um novo Conselho de Arbitragem afinal mantem-se. E sabe-se lá até onde vai o descaramento desta gente. Hoje, por exemplo, estão nos camarotes a convite do Benfica, amanhã talvez desçam aos balneários dos árbitros para, apenas com a sua presença, os coagirem e condicionarem com um poder que já não têm. Temos que estar atentos e vigilantes e defender a verdade no futebol, porque aquilo que é intolerável é que os árbitros, em vez de fazerem um juízo justo e adequado, atuem de acordo com aquilo que acham ser a vontade de Ferreira Nunesou de observadores cuja maioria ainda é da “velha guarda”, e que com estas “provas” de poder podem manter a sua atuação tendenciosa.

Parafraseando o Papa João Paulo II, é tempo de dizer aos árbitros portugueses para não terem medo nem estarem condicionados. O passado de terror acabou. E o presente e o futuro do futebol português depende também da coragem que tiverem para arbitrarem com honestidade.Arbitrem de acordo com o jogo e não da forma que julgam que quem observa e avalia gostava que ajuizassem.


                   


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