2017-01-16



Jesus tarda em perceber aquilo que foi óbvio para Boloni


A exibição da equipa do Sporting contra o Chaves foi das mais desapontantes dos últimos anos e não tanto pela qualidade do futebol mas pela incapacidade de aproveitar os deslizes dos rivais. Quando os nossos rivais perdem nós temos que ter as ganas de entrar em campo com o dobro da atitude. Esse é o segundo grande erro de Jesus: não capitalizar o sentimento de rivalidade dos jogadores formados no Sporting. Ver Francisco Geraldes mais indignado por ser expulso contra o Porto do que alguns jogadores do Sporting por terem perdido contra o Chaves é um sintoma claro.

É reconhecida a Jorge Jesus uma enorme cultura táctica e uma capacidade acima da média para rentabilizar jogadores. É certamente, a par da sua teimosia, o seu maior cartão de visita. Mas este ano, a teimosia de Jorge Jesus tem tido um efeito contra-produtivo. E o seu maior problema é a incapacidade de lidar com o fenómeno Bas Dost.

Bas Dost é o melhor ponta de lança que passou por Portugal nos últimos anos. Com uma presença na área só superada por Mário Jardel. E é aqui que nasce a principal diferença entre Jesus e Boloni. Boloni não era um treinador tacticamente genial mas percebeu que bastava meter meia-dúzia de vezes por jogo a bola na cabeça de Jardel que ele tratava do resto. O Sporting tinha um meio-campo musculado com Hugo Viana, Paulo Bento, Rui Bento e Pedro Barbosa que assegurava recuperação e condução de bola em posse e tinha na frente um vagabundo chamado João Pinto que cruzava de todos os lados possíveis para Jardel. Se o jogo tivesse mais liberdade entrava também Ricardo Quaresma para municiar o goleador. A defesa era também um esteio com Beto, André Cruz, Phil Babb e Rui Jorge. Não era uma equipa rápida na sua globalidade mas corria poucos riscos defensivos e sabia o que tinha que fazer na frente: meter a bola na linha de fogo de Mário Jardel que se encarregava de as meter lá dentro.



Jesus, um treinador genial, não consegue fazer aquilo que Boloni tão bem fez: Perceber que basta adaptar o futebol da equipa a um jogador - Bas Dost - e não tentar fazer de Bas Dost um Slimani quando não há comparação. Bas Dost chegou ao futebol Português há 3 meses e já é o melhor marcador (mesmo não sendo ele quem marca os penalties da equipa). Jorge Jesus insiste em brincar aos parceiros ideais e aos esquemas de jogo que assentam nas costas de transportadores de bola (Adrien e William) e esquece-se que tem na equipa bons municiadores para a cabeça de Bas Dost. O futebol é eficácia e Bas Dost é eficaz! Porque continuamos a desaproveitar isso?

Vamos iniciar esta semana com um jogo para a taça e depois arrancamos para a segunda volta do campeonato onde ainda há muitos jogos para ganhar! Espero que Jorge Jesus entenda de uma vez por todas que a sua teimosia não pode ser superior à qualidade das armas que o Sporting tem à sua disposição.

Eu avançaria para os próximos jogos com:
Rui Patrício
Schelotto, Coates, Oliveira, Jefferson
Elias, Adrien, William, Campbell/Bruno César
Gelson, Bas Dost

Gosto de ver Elias a interior direito. Acho que é o substituto ideal de João Mário e o jogador que tem as mesmas características: futebol de pantufas, condução de bola e inteligência. Não é intenso mas junto à ala nota-se menos. Nas suas costas Schelotto faria bons overlaps.



Quanto a Jefferson: quem tem dúvidas que é um dos que melhor cruza na equipa?

Quando se tem o melhor ponta de lança do campeonato e o principal municiador, para quê inventar?

Acorda, Jesus! E acordem também os jogadores que quem enverga as cores do Sporting Clube de Portugal não pode jogar só quando lhe apetece!


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