Deve o benfica descer de divisão?


Nas últimas semanas temos assistido ao pináculo da podridão no futebol português. As visitas ao centro de treino dos árbitros juntaram-se aos vouchers na discussão do que é influenciar ou coagir as arbitragens. Aos poucos, benfica e porto vão levando água aos seus moinhos. Mas se tanto as visitas como os vouchers são coisas que se vêem a olho nu, o que dizer das coisas que, mesmo pequenas, podiam ser matéria para descida de divisão? Tendo por base o Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional há um conjunto de assuntos que deviam ser escrutinados mas que ninguém é capaz de questionar. Por exemplo: pode um clube contratar jogadores para espiar outros clubes?

Artigo 28.º
Adulteração da verdade desportiva
Nos casos de combinação, predeterminação ou alteração do resultado de um jogo em consequência de suborno, corrupção, coacção, ou simples acordos, utilização dolosa de jogadores em situação irregular e, em geral, todos aqueles em que a infracção integra uma alteração grave da verdade desportiva, a Secção Disciplinar poderá, independentemente das sanções que a cada caso corresponda, modificar o resultado do jogo viciado, nos termos e limites estabelecidos no presente Regulamento. 

O incitamento à violência de "6 milhões de pessoas"



No passado dia 18 de Fevereiro, Rui Vitória deu o tal "murro na mesa". Nessa declaração foi bem além da cordialidade e decidiu capitalizar os tais "6 milhões" de adeptos para meter pressão na arbitragem. Transcrevo: "Não brinquem comigo! Eu sei que se tiver uma atitude acicatada aqui ou dentro do campo, tenho 6 milhões de pessoas atrás de mim que se revêem muito naquilo que eu digo. E se eu tenho uma postura cautelosa, também sei que 6 milhões de pessoas têm posturas cautelosas". O que eu leio aqui é que há uma milícia de "6 milhões" de pessoas prontas para agir em nome do benfica caso alguém "brinque" com o trabalho de Rui Vitória.







Artigo 65.º
Exercício e abuso de influência
1. O clube que, directa ou indirectamente, exerça ou abuse da sua influência, real ou suposta, junto de qualquer agente desportivo, representante, agente ou funcionário da Federação ou da Liga com o fim de obter comportamento ou decisão destinados a modificar ou falsear a veracidade e a autenticidade de documentos, procedimentos e deliberações, assim como o resultado ou desenvolvimento regular dos jogos das competições desportivas será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 250 UC e o máximo de 1000 UC.
2. Se o ilícito for cometido na forma de tentativa, o clube será punido com a sanção de
subtracção de pontos na classificação geral a fixar entre o mínimo de cinco e o máximo de oito pontos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 100 UC e o máximo de 500 UC.




Violência física ou moral sobre agentes desportivos

A 9 de Agosto de 2011, Pedro Proença foi agredido no Colombo. No testemunho disse "O indivíduo deve ter perdido a cabeça e, do nada, começou a agredir-me. Falou qualquer coisa do Benfica [..] Tenho dois dentes para renovar". O facto do individuo ser adepto do benfica não implica, por si só, o benfica neste crime. Mas, algum tempo depois, Paulo Parreira - o adepto possuido - gravou a música ao lado onde diz claramente Gama, gama Proencinha que lá no Colombo os dentinhos te vamos arrancar". Mais uma vez, as palavras de Paulo Parreira não podem ser directamente ligadas ao benfica. Ou será que podem? Na descrição do album de Paulo Parreira vem "um disco com o selo oficial do Sport Lisboa e Benfica".





Ou seja, o benfica promoveu activamente um álbum musical que contem ameaças a agentes desportivos. Estamos, portanto, perante ameaças com o selo "benfica". E o que diz o artigo 66º?
Artigo 66.º
Coacção
1. Os clubes que exerçam violências físicas ou morais sobre delegados da Liga, observadores de árbitros, dirigentes, jogadores, treinadores, secretários ou auxiliares técnicos, médicos, massagistas e delegados ao jogo do clube adversário, que ocasionem inferioridade na sua representação aquando dos jogos oficiais e contribuam para o desenrolar deste em condições anormais, serão punidos nos termos do n.º 2 do artigo 62.º
2. Se os factos referidos no número anterior forem cometidos sobre qualquer elemento da
equipa de arbitragem com o fim de, por qualquer forma, ocasionar condições anormais na direcção do encontro com consequências no resultado ou levem o árbitro a falsear, por
qualquer modo, o conteúdo do boletim do encontro, o clube serão punidos nos termos do
n.º 1 do artigo 62.º
3. Os factos referidos nos n.os 1 e 2, quando na forma de tentativa, serão punidos com sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 125 UC e o máximo de 250 UC.
4. Os clubes são considerados responsáveis, nos termos dos números anteriores, pelos factos cometidos, directa ou indirectamente, por qualquer dos seus dirigentes ou representantes, ainda que de facto, e funcionários, e bem assim pelos agentes desportivos a si vinculados. 
Portanto, assumindo que estamos num caso de violência moral sobre um agente desportivo, o que diz o artigo 62º?



Artigo 62.º
Corrupção da equipa de arbitragem
1. O clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial com o fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 500 UC e o máximo de 2000 UC.
2. Se o ilícito for cometido na forma de tentativa, o clube será punido com a sanção de subtracção de pontos a fixar entre o mínimo de cinco e o máximo de oito pontos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 250 UC e o máximo de 1000 UC. 

Não sei se este tipo de acções são matéria para aplicação dos regulamentos mas, a mim, causa-me dúvida razoável suficiente para que sejam, pelo menos, investigados. Porque é que não são? Ninguém sabe... Ou toda a gente sabe mas ninguém faz nada. Não queremos acicatar os tais 6 milhões, não é?





Comentários

  1. E oferecer vouchers ou prendas antes dos jogos também não é ilegal? Isto é tudo uma brincadeira. Como a teoria de Pavlov é preciso é por o cão a salivar quando ouve a campainha.

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