A censura agora risca a vermelho




Excelente post de João Duarte no Jornal do Sporting de hoje! Houvesse mais gente com coragem para falar abertamente assim!

A Censura proíbe a divulgação livre de informação aos povos, sendo por conseguinte a maior inimiga à liberdade de expressão. Arma de regimes autoritários, tenta prevenir reacções contra a ideologia do poder vigente. Em Portugal, foi introduzida em 1926 pela ditadura militar e atingiu o seu auge no período do Estado Novo, que durou de 1933 até à Revolução de Abril. Quatro décadas de democracia não chegaram para o futebol português meter o seu cravo na lapela. Com regulamentos feitos à medida de quem verdadeiramente manda, aproveitando vazios de legalidade, baseado em atropelos à defesa dos mais simples direitos humanos, como a liberdade dos agentes desportivos se exprimirem, o regulamento disciplinar deixa à mercê dos simplórios a discricionariedade da aplicação da letra dos artigos.

Vamos a factos e verificar o que de tão grave disse o nosso Presidente, que lhe valeu 113 dias de suspensão, a mais grave pena desde o Apito Dourado, imagine-se! Foi a 15 de Janeiro de 2016 que no final de um Sporting-Tondela, Bruno de Carvalho proferiu: "Os jogos não se jogam dentro das quatro linhas" e "gosto pouco de estar a brincar ao futebol. O Senhor Vítor Pereira já ultrapassou todos os limites do ridículo". Mensagem que seria reforçada no facebook: "Vitor Pereira já não perdeu só o bom senso a nomear, já perdeu toda a noção do ridículo!" Mais tarde, a 23 de janeiro de 2016, num artigo de opinião no jornal A Bola, o Presidente do Sporting Clube de Portugal voltaria à temática: "Tem sido evidente, não posso deixar de salientar, a falta de critério e bom senso em muitas nomeações este ano, nunca sendo de atribuir a culpa aos árbitros porque estes apenas são nomeados. Tem sido claro que após conflitos públicos existentes entre a instituição Sporting e alguns árbitros, no que diz respeito à sua actuação menos positiva, os mesmos têm sido constantemente escolhidos para arbitrar jogos do Sporting numa perfeita afronta ao clube e num total desrespeito com a própria defe-sa do respectivo árbitro", o que acrescentaria o próprio "significa apenas o total desnorte e falta de bom senso daquele que devia decidir em prol do futebol e da classe dos árbitros: Vítor Pereira".

Em suma, proferir ou redigir que "o futebol não se joga dentro das quatro linhas" e que a actuação do ex-Presidente do Conselho de Arbitragem é ridícula dá 113 dias de punição. Ajuizar e pôr em veredicto esta decisão faz-nos ter a certeza que se há coisa que o Conselho de Disciplina não segue é a 'jurisprudência' tal a quantidade de vezes que agentes desportivos, incluindo outros presidentes de clubes, proferem expressões similares. Existir uma lei que permite a algum juiz aplicar uma pena destas viola, por certo, a carta universal de direitos humanos em primeiro lugar, e em segundo, é uma palermice. É expor os juízes e o futebol português ao ridículo. Nem chegamos a perceber se neste caso "autorizaram'; "autorizaram com cortes': "cortaram" ou "suspenderam': Mas sabemos que o representante máximo do Clube não se calará, e continuará a exercer o seu mandato, para o qual foi eleito com mais de 86% dos votos, na plenitude.

Se a Censura gastou lápis azul em fartura sob o jugo de António de Oliveira Salazar, no futebol português risca o vermelho vermelhão. Fiquem certos que os bravos leões, muito para além de três milhões, continuarão a escrever e a reescrever por cima, quantas vezes forem necessárias, as mais honrosas páginas a verde.

95 anos de histórias para contar, Jornal Sporting tu nunca vais acabar. Parabéns!




Comentários

  1. TuVaisVencer,

    digo há anos (e aqui, no AmorSporting, Leoninamente, Sporting com Filtro já o escrevi multiplas vezes) que o que se anda a passar em Portugal [esta protecção infame ao Polvo Vermelho (slb), a censura constante, a coação a todos os jornalistas que são neutros mas gostam do Sporting, o alinhamento da Com. Social com o slb] é caracteristico de regimes como o de Pinochet, Franco, Mussolini, Fidel, etc.

    Nunca antes um estado de direito violou as suas próprias regras, viola a sua própria Justiça para proteger instituições, individuos afectos a clube da Mafia Vermelha. Isso é novo.

    Diziam os Russos que, durante os anos pre-Perestroika , o Partido Comunista Soviético protegia o Spartak de Moscovo ou o Locomotiv de Moscovo - mas ainda assim, com o controlo totalitário e brutal do regime sovietico, vejam que o Dynamo de Kiev e outros conseguiram ganhar alguma coisa.

    Comparemos o pior dos regimes comunistas como o que se passa em torno do maléfico "clube" da Porta 18 e facilmente percebemos que Portugal conseguiu a proeza de superar o que de mais negativo se fez lá fora em matéria de Justiça Desportiva e Verdade Desportiva.

    Já não há adjectivos eficazes para qualificar a situação do futebol português. Fiquemo-nos por Vergonha Total em Tons Vermelhos.

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