Onde nasce a violência em Portugal?


A dois de Março de 2012, Luis Filipe Vieira dizia de Pedro Proença o que Maomé não diz do toucinho - "Eu prometi que não ia falar das arbitragens e mantenho. Mas deixo aqui um desafio: o senhor Pedro Proença que deixe de apitar jogos do Benfica, se se sente condicionado. Era um favor que prestava a todos os benfiquistas e ao futebol". Esta frase foi proferida um ano depois de o mesmo Pedro Proença ter sido violentamente agredido no Colombo onde acabou por ficar com dois dentes partidos. A prática não teve consequências e, como até já escrevi aqui, deu origem a um album de música patrocinado pelo próprio benfica.

No mesmo mês, Rui Costa foi apanhado numa garagem a ameaçar um delegado da Liga de Clubes.





Um ano depois, Oscar Cardozo puxa e intima violentamente Pedro Proença. O castigo? Uma repreensão escrita pois o jogo de suspensão que recebeu foi devido ao cartão vermelho que viu.


Já esta época, durante o benfica - Chaves, Luisão encosta a cabeça a Nuno Almeida de forma intimidatória sem qualquer consequência. Num dos programas televisivos sobre futebol onde tentaram abordar este lance, José Calado levantou-se e rasgou as fotos que o jornalista tinha levado. Mais impunidade!




A coação exercida sobre a arbitragem sempre foi algo presente no futebol português e, na minha opinião pessoal, culminou no ultimo mês com Rui Vitória a dizer que tinha 6 milhões de pessoas a suportá-lo caso decidisse "acicatar". A frase não é inocente e, na minha opinião, procura dar a ideia de uma milicia de 6 milhões de pessoas pronta a entrar em acção caso o líder "Rui Vitória" dê o sinal. Esta semana já vimos uma parte dessa milicia a funcionar durante o jogo contra o Feirense, onde uma bancada foi destruída e só não matou um jornalista por sorte. Também foram sendo atiradas tochas para o campo e o próprio guarda-redes do Feirense, Vaná, sentiu-se ameaçado.
"A imagem que passa é que perdi a cabeça. Não é isso. Quando atiraram a cadeira, poderia ter-me magoado. Revoltei-me para ver se o árbitro fazia alguma coisa", Vaná

Mas a procissão de impunidade continua em todos os estádios do país, semana após semana. As multas são irrisórias e os castigos inexistentes. Sejam jogadores, dirigentes, comentadores ou adeptos, as consequências são sempre escassas ou nulas. É o futebol que temos. O campeonato da violência, o campeonato da mentira, o campeonato português.




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