Não pode valer tudo, por Nuno Saraiva



Vivemos tempos de brasa no futebol português que, em certa medida, fazem lembrar os dias do PREC nos anos de 1974 e 1975. Talvez tenhamos todos culpas neste cartório, uns mais do que outros, e não deixarei de assumir nunca a minha quota-parte de responsabilidade.

Este exercício de reflexão e humildade não significa que estejamos dispostos a capitular, como tantas vezes no passado, e ficar em silêncio perante a ofensa e a indignidade. Há limites que não podem, em nenhuma circunstância, ser ultrapassados. E sempre que esteja em causa a defesa do Sporting CP e a honra e dignidade do seu presidente, eu estarei sempre na primeira linha.

Vem isto a propósito dos chamados "factos alternativos", tão em voga, e das cartilhas que certos amestrados utilizam para incendiar e incentivar ao ódio, atirando depois as culpas para cima de outros que mais não fazem do que se defenderem da indignidade, dos insultos e da violência com que são atacados.

Na verdade, aquilo a que temos assistido não é mais do que a utilização das práticas mais negras inscritas nos manuais de comunicação política que podem ser classificadas como terrorismo comunicacional. A partir do Dubai, do Qatar ou de qualquer outro poiso de exílio dourado, João Gabriel, o chefe da célula, continua a comandar as tropas através dos seus tweets ou com os dedos a operar os cordelinhos das marionetas. É ele quem manda, sempre mandou, por mais que sejam outros a redigir comunicados ou a assinar artigos em jornais.

Vamos lá aos factos que importam. Na madrugada de 22 de abril foi assassinado um adepto do Sporting CP. Não é a primeira vez. Desde 1996, ano da tragédia do Jamor, que as claques ilegais a quem o SL Benfica comprovadamente presta apoio celebram o homicídio de um adepto sportinguista, seja com cânticos hediondos seja com imitações constantes e aberrantes dos silvos de um very-light. O Estado, através do IPDJ, insiste em cruzar os braços. As instâncias do futebol assobiam para o lado. E, pior do que isso, o presidente do Benfica e aqueles que o seguem, por detrás da costumeira sonsice, caucionam estes atos criminosos quando não se demarcam das suas claques e, mais grave, consideram que a morte se justifica por alegadas provocações.

Depois, em nossa casa, há quem se ache no direito de insultar a seu bel-prazer o presidente do Sporting, com um discurso de cartilha barata que só pode ter sido passada por uma qualquer janela, e considere isto normal.

A célebre cartilha de que o país teve conhecimento é, como muitos já o reconheceram e rotularam, um manual de incentivo ao ódio e à violência contra o Sporting CP e o seu presidente. É no mínimo curioso que o Ministério Público ainda não se tenha debruçado sobre este assunto que tem todos os contornos de crime público, razão pela qual uma investigação criminal não está dependente da queixa de ninguém. Se houver vontade e coragem, investiga-se e ponto final.

Quais virgens ofendidas, agitam-se de cada vez que alguém lhes responde, no exercício legítimo de defesa da honra. Mas seremos nós os incendiários? Esses são os que fingem estar em silêncio, pagando depois aos tais amestrados para que façam as maiores malfeitorias. São esses, hipócritas e pouco corajosos, os verdadeiros pirómanos que atiram as pedras mas, por simples cobardia, escondem as mãos.

E é por causa desta impunidade permanente que, de colinho em colinho, nada muda dentro ou fora do campo.

Acusam-nos de estarmos desesperados porque não ganhamos. Nada disto pode servir-nos de desculpa para uma época que, no futebol, é indiscutível, não correu como queríamos. Mas isso não nos diminui em nada sempre que estejamos sob ataque. Outros há que, com a arrogância de quem acha que tem o tetra no bolso, deviam era estar a preparar-se para celebrar o ‘treta’.

O futebol português precisa de paz, é verdade. Há limites que não podem continuar a ser ultrapassados. Mas não nos peçam para sermos uma espécie de Cristos, que, em nome da pacificação necessária nesta indústria, estaríamos disponíveis para dar a outra face perante tanta agressão e falta de respeito.

O tempo em que ser diferente era sinónimo de ser submisso acabou. No futebol, como na vida, não pode valer tudo!


Comentários

  1. Um exercício de reflexão e humildade que às páginas tantas se transforma em "mais do mesmo"! Um exercício de reflexão e humildade que é um travesti. O Sporting era diferente e continua diferente, antes era diferente pela positiva conseguia manter um nível mais elevado quando os outros pareciam querer cair no pântano lodoso das insinuações e acusações, agora é diferente por ter conseguido baixar o nível não a um pântano lodoso de insinuações e acusações mas a um oceano de trampa, cagada diária e surpreendentemente pela seu presidente (surpreendentemente pelo cargo não pela pessoa). Sinceramente, questiono e pergunto a mim mesmo, se as coisas têm corrido como era esperado após a contratação de JJ se o Sporting e os Sportinguistas teriam este discurso? Não, não teriam, porque sempre que andaram na frente andavam contentes e não faziam criticas nem barulho tóxico, só o fanfarrão se fazia ouvir no seu estilo "eu, eu, eu", pois que se esqueceram que com todas as qualidades técnicas reconhecidas do treinador levavam e pagavam também pelos defeitos e insuficiências do homem da pessoas em si.. E agora ao invés de reconhecerem (não é novidade que a 1º época de JJ é sempre de arrebenta, já as 2º por norma são o que se sabe, basta investigar um pouco) os erros dentro da "estrutura" lançam areia aos olhos e lixo ás inteligências das pessoas. O Sporting não foi campeão o ano passado por culpa própria de JJ ter puxado pelo orgulho de uma equipa que estava quase derrotada e se ia matar a si própria e foi ele que a acordou e azar, o azar de Bryan Ruiz ter pegado mal aquela bola que se faz golo o campeonato acabava ali, no entanto o efeito e o próprio JJ foram os principais factores para porem o SCP nesse patamar e nível, assim como esta época com as suas contratações e fetiches e condução de desgaste e mau discurso (eu eu) levou a que a equipa baixa-se de nível. Tudo o resto são histórias mais ou menos de encantar, nenhum dos 3 grandes têm razão de queixa em relação aos árbitros, apenas quem não siga a época de um clube menor ou seja estúpido ou imbecil pode pensar que algum dia os grandes têm razão de queixa, eles só fazem barulho para comerem mais um do que os outros, porque entre eles comem tudo ou quase tudo, por isso cada vez mais admiro Vitórias, Paços, Moreirensses, Rio Ave e esses, com salários em dia e sem truques de nojo nem blogs propagandistas

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