Quem castrou os jornalistas?




Chegámos ao grau zero do jornalismo. Chegámos? Talvez já o tenhamos ultrapassado. O que aconteceu ontem na conferência de imprensa de Rui Vitória foi surreal a todos os níveis.

Está presente na mente de todos o soco que Samaris deu a Diego Ivo. Questionado sobre a situação, Rui Vitória respondeu com:

"Estamos a falar de um profissional de excelência, um grande profissional que está cá há 3 anos, que é internacional, que ao fim de meio ano falava melhor português do que muitos portugueses."
Portanto, para Rui Vitória, o facto de um "grego falar melhor português que alguns portugueses" é suficiente para justificar uma agressão a um colega de profissão? Perante esta situação podemos depreender que se o tal jogador do Canelas não trocasse os "que" por "k" nos seus posts de facebook já seria inocente?

Na sala de imprensa, nenhum jornalista teve a coragem de contestar Rui Vitória. Como não têm a coragem de escrever que algo de muito podre se passa no futebol nacional.
 “Journalism is printing what someone else does not want printed: everything else is public relations.”, George Orwell
A última coisa inesperada que aconteceu no futebol nacional nos últimos 20 anos foi a morte de Miklós Fehér. Tudo o resto não passa de uma sucessão de acontecimentos que parecem ser combinados à luz das Janelas desta vida. E os jornalistas deste país, em vez de questionarem a mais simples das perguntas, agem como cachorros castrados a abanar a cauda perante o verdadeiro dono.

"Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!"
, Ary dos Santos

Ary dos Santos não queria ser poeta castrado. Já os jornalistas de hoje em dia é precisamente o contrário.

São cartilhados de mão em mão,
São lãzudos publicitários,
São cabeçudos dromedários,
São malabaristas e um ou outro cabrão
Foram os Jornalistas Castrados? 
Como dizer que não?



Comentários

  1. Ser profissional implica também não agredir adversários.
    De certeza que há Gregos que falam melhor grego do que ele próprio.

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  2. Olé, dedo na ferida! Parabéns pelo texto!

    Sl

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