As três vergonhosas histórias que o Expresso revela sobre o "Apito Abençoado"



O Expresso revela na sua edição de hoje um conjunto de três vergonhosas histórias que envolvem Paulo Gonçalves, Luís Filipe Vieira, um conjunto de Delegados da Liga, membros do Conselho de Disciplina, árbitros assistentes e o chefe da Secção de Classificações.

Primeira história: a dias do Benfica-Juventus da Liga Europa, Paulo Gonçalves avisou Luís Filipe Vieira que João Leal, responsável pelos registos e transferências da FPF, pedira bilhetes para o jogo em nome de cinco elementos do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O pedido de João Leal tinha uma recomendação: "Todos querem, de preferência, dois convites cada." Ou seja, dez bilhetes, para dividir por Manuel Saraiva, Vítor Carvalho, Domingos Cordeiro, Leonel Gonçalves, Jorge Amaral e João Guimas três deles ainda fazem parte da secção não profissional do CD. Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, diz a Vieira, presidente do Benfica, que estes elementos do CD "ficaram cheios de moral" por terem livrado Jorge Jesus, "aplicando" apenas uma "multa pela expulsão" no jogo Benfica-FC Porto.

Esta primeira história tresanda a troca de favores, vulgo corrupção. Parece que, alegadamente, "estes elementos do CD" ajudaram a que o treinador do benfica à altura não cumprisse o castigo devido para o acto cometido, ficando-se apenas por uma multa.
Segunda história: às tantas, e a nove dias de uma final, Paulo Gonçalves envia umas quantas "sugestões" a Luís Filipe Vieira de gente a ser convidada para o Sevilha- Benfica, de Turim, a 14 de maio de 2014 — a Liga Europa que os encarnados perderam nas grandes penalidades. Gonçalves diz a Vieira que as quatro pessoas tinham "de alguma maneira ajudado a alcançar este objetivo ou ajudado o SLB no passado". Andreia Couto, à data diretora executiva da Liga, por ter sido "inexcedível no cuidado e apreciação de todos os requerimentos do SLB ao longo da época"; Nuno Cabral, delegado da Liga; e Rodolfo Vaz, "sócio benfiquista" que "sempre tratou do Oblak [na altura, guarda-redes do Benfica] no Leiria quando ninguém apostava nele"; o engenheiro Emídio Fidalgo, "responsável pela nomeação dos delegados na Liga e decisivo nos pareceres que emitiu..." Nota: Emídio Fidalgo esteve no meio da confusão no pós-incidente de Jorge Jesus com um polícia, em setembro de 2013, num Vitória de Guimarães-Benfica — Fidalgo, bem como Paulino Carvalho e Paulo Santos (delegados), Jorge Jesus e os árbitros Bruno Esteves, Mário Dionísio, Rui Teixeira e Manuel Oliveira não escreveram nada sobre o caso nos relatórios enviados para a FPF. O árbitro, os árbitros assistentes, o quarto árbitro e os delegados foram suspensos uma jornada; Jesus apanhou uma suspensão de 30 dias e o Ministério Público fê-lo pagar uma multa de €25 mil a duas instituições de solidariedade e €500 ao agente da PSP. A Emídio Fidalgo não há registo de qualquer castigo.
 Mais um conjunto de funcionários da Liga que são apanhados no meio dos emails como sendo pessoas que ajudaram a alcançar os objectivos.

Terceira história: a 3 de abril de 2015, Paulo Gonçalves explica a Vieira que precisava de convites para o Benfica - Nacional. Eram para David Luiz, antigo jogador do Benfica, para o já referido Nuno Cabral, delegado da Liga, e para Ferreira Nunes, chefe da Secção de Classificações, o organismo responsável por dar notas aos árbitros. Segundo Paulo Gonçalves, para Nuno Cabral seriam cinco bilhetes, e este viria "com dois AA [n.d.r.: árbitros assistentes]" ; e os dois bilhetes de Ferreira Nunes seriam para o filho deste. Vieira recomenda a Gonçalves que os convites de Ferreira Nunes sejam para a "bancada presidencial".
O chefe da Secção de Classificações a ser convidado para a "bancada presidencial". Apesar desta ser a história menos reveladora, mostra bem o quão promíscua é a alegada relação entre Paulo Gonçalves e alguns membros da Liga de Clubes.


O que mais me incomoda no momento actual é o silêncio dos restantes clubes. Será que não percebem que por casa clube beneficiado há 17 que são lesados? Não percebem que os seus investimentos anuais são colocados em causa cada vez que se falta à verdade desportiva?

Pensem quanto custou ao Sporting não ter sido campeão na época passada. Com 86 pontos ficou em segundo lugar. Teria acontecido o mesmo sem os "padres" ordenados? Sem as alegadas ajudas dos Delegados da Liga? A entrada directa na Liga dos Campeões vale 16 milhões de euros. Nestes últimos quatro anos falhámos duas vezes o apuramento directo. Mas... E se não houvessem estes casos? São 32 milhões que podiam estar nos cofres do Sporting e não estão... Se isto não vos revolta, o que o fará?

Estes tipos, alegadamente, roubaram-nos o direito de celebrar, pelo menos, dois títulos! Vamos deixar que passem impunes?



Comentários

  1. sempre disse que o "problema" nao estava tao só nos árbitros, (vendidos tambem), mas mais na "parte oculta"...(aqueles que os "controlam" através das classificacoes...)

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