O Sporting nasceu um dia, sob o signo do... Escorpião



Creio que é inegável que o Sporting e os seus adeptos estão, neste momento, a passar por uma pequena crise de identidade. Uma espécie de crise dos quarenta quando nos apercebemos que só tivemos quatro grandes alegrias durante esse tempo.

Nem todos reagimos da mesma maneira. A direcção tem feito os possíveis para dar ao treinador os reforços que ele crê ser necessários. O treinador tem feito os possíveis para sair da sua zona de conforto e alterar o seu habitual sistema táctico para ter as alternativas que não teve na época passada.

Há muito tempo, quando os animais falavam, um Escorpião estava à beira de um rio sem saber como passar. Tentou seduzir uma Tartaruga para que ela o deixasse em cima de si durante a travessia.
"Nem pensar, sei que me vais matar mal possas", disse ela. O Escorpião respondeu "Se te picasse e tu morresses do veneno eu morreria afogado, que melhor garantia procuras?". A Tartaruga aceitou então e começou a viagem, carregando às suas costas o Escorpião. A meio do rio, a Tartaruga sente uma picada e o veneno espalha-se pelo corpo, sem forças pergunta o motivo de tal traição. O Escorpião, já quase coberto de água, responde: "Desculpa Tartaruga, eu tentei resistir mas é a minha natureza..."
É neste Escorpião que vejo o actual estado do Sporting e é curioso não ser a única pessoa a pensar assim pois o mui estimado Edmundo também o acha (AQUI).

Nós não queremos morrer, não queremos ficar com fome de títulos mas somos incapazes de levar a nossa empreitada até ao fim com a mesma convicção com a qual a começámos. Desde a direcção aos adeptos. Estamos a passar por um período em que simplesmente não temos paciência para cumprir um plano.

Bruno de Carvalho podia muito bem ter ficado em silêncio sobre o tema "Octávio". Tinha-o deixado a falar sozinho, desvalorizando a sua opinião e, consequentemente, minimizando o futuro do mesmo. Como respondeu, valorizou Octávio e vamos todos ter que levar com ele na CMTV semana após semana (quem sabe dia após dia) a falar do que sabe e do que não sabe. Bruno faz muita coisa bem mas ainda não percebeu que há inimigos que devem morrer com um tiro e inimigos que devem morrer à fome... de atenção, entenda-se.

E nós, adeptos, estamos a transformar-nos num bando de histéricos. Claramente não soubemos reagir à dura realidade de ver que existe um esquema de corrupção e favorecimento e que dificilmente, sem estarmos unidos, voltaremos a ser campeões.

Pior que isso, acusámos falta de força (e de coragem) para combater esses trastes que destruiram a já de si pouca credibilidade do Futebol Português. Mas como ainda estamos à procura de ser ouvidos viramos agulhas para ataques internos como a jogadores recém contratados, o treinador e a direcção. É sempre mais fácil bater nos nossos, ralhar com quem nos ama porque sabemos que não nos vai abandonar. Estamos a descarregar no Sporting a frustração de não conseguir combater o sistema.

Tal como na música "One of Us" da banda alemã Dune, estamos deitados, encolhidos na cama, com vergonha das escolhas fáceis que vamos fazendo, com demasiado medo de ir para o combate e, ainda assim, apontamos o dedo para quem está a combater, no nosso lugar, por não estar a fazer aquilo que achamos que deveria de estar a ser feito.

Enquanto não tivermos a coragem de nos indignarmos contra quem realmente nos prejudica e partir para combater os nossos verdadeiros inimigos, nunca seremos campeões. Seremos os eternos tristes do "para o ano é que é", fechando os olhos à realidade que a cada ano que passa os corruptos vão minando mais o sistema e viciando mais um jogo no qual insistimos em ser carneiros... ou escorpiões mas, por enquanto, andamos a evitar ser Leões!


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