Director da Revista Sábado arrasa Pedro Guerra



"Onde estava Pedro Guerra no Apito Dourado?" - É a pergunta que Carlos Rodrigues Lima deixa no ar depois de ter sido atacado por Pedro Guerra. Diz ainda que o comentador tem todo o direito a defender-se e a dizer a maiores alarvidades. Mas convém ter memória e autoridade moral.

Podem ler o texto na totalidade abaixo:

Há um tique comum a muitos comentadores, sejam eles da política, economia ou do desporto: enchem o peito de ar e proclamam verdades universais, como se fossem uma espécie de oráculos a quem se deve recorrer em caso de desorientação. Pedro Guerra transformou-se, nos últimos anos, num desses casos, surgindo nos espaços de comentário desportivo como um portador do conhecimento, cujos sermões deveriam ser escutados. É um estilo.

Esta semana, Pedro Guerra no "tribunal" por si escolhido, resolveu entrar na onda do acefalismo da Internet e classificar-me como um "fanático" do FC Porto. Talvez um "ultra", mas Guerra preferiu um fanático, assim a modos que um tipo que só vai ao estádio para andar à porrada. Depois lamuriou-se - outra das características do indivíduo que, aparentemente, um dia foi chorar para a casa de um juiz - por nem o ter contactado, violando, continuou Guerra, um dos princípios do jornalismo, que ele tão bem cultivou no O Independente. Princípios tão caros a Pedro Guerra que, salvo erro, há poucos anos lhe valeram um processo de execução para pagar uma multa que resultou de uma condenação judicial devido a uma notícia falsa da sua autoria.

Voltando à questão: tentei contactar Horácio Piriquito, mas não contactei Pedro Guerra, é verdade. Qual a razão? Da primeira vez que a SÁBADO escreveu sobre o caso dos emails, tentei contactar Pedro Guerra que, por SMS no dia 26 de Outubro, foi categórico: "Se voltar a falar em público sobre este assunto e sobre as reiteradas mentiras emitidas, semanalmente, no Porto Canal, pelo caluniador do costume, só farei no mesmo espaço da TVI 24. Um abraço e bom trabalho, P.Guerra". Penso que está explicado.

Para que fique claro: na SÁBADO apenas investigamos o conteúdo de emails com interesse público. Como é bom de se perceber, em 20GB de comunicações há também assuntos do foro pessoal, privado. Na SÁBADO ninguém lerá uma linha sobre essas matérias.

Para que também fique claro: na SÁBADO investigaremos tudo o que disser respeito ao futebol, seja relativamente ao Benfica, Porto, Sporting ou ao Oriental, desde que existam elementos mínimos para se iniciar uma investigação.

Clarificados alguns pontos, vamos ao Apito Dourado, tema do agrado de Pedro Guerra, que gosta de puxar pelo diafragma de cada vez que o aborda. Neste caso está como peixe na água, disparando em todas as direcções, falando em escutas, em processos, etc. E onde estava Pedro Guerra no Apito Dourado?

Quem tem memória daqueles anos , em que vários jornalistas andaram meses e meses a escrever, alguns deles debaixo de fogo, sobre o maior processo de corrupção no futebol português, lembra-se: Pedro Guerra estava no governo que politicamente validou o afastamento da PJ/Porto dos dois responsáveis pela investigação do processo, Teófilo Santiago e João Massano.

Quando ambos foram corridos, ainda com a investigação em curso, alguém ouviu Pedro Guerra a protestar, a falar em conluios, em pressões? Não. Porque estava confortavelmente sentado na cadeira de assessor político do então ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, com a "remuneração mensal ilíquida de Euro 4888, acrescida do subsídio de refeição e de despesas de representação" (Despacho 594/2003), num governo em que a ministra da Justiça era Celeste Cardona, militante do CDS/PP.

Antes de falar em "fanático", Pedro Guerra poderia pesquisar nos arquivos dos jornais (e não nos mais de 60 mil documentos que foram digitalizados no ministério da Defesa) o que durante os anos do Apito Dourado escrevi acerca desse caso, o que me valeu alguns processos-crime, entretanto arquivados, e até um convite para participar num debate na Benfica TV. Sim, é verdade, este "fanático" foi à Benfica TV falar sobre o Apito Dourado.

Pedro Guerra tem todo o direito a defender-se e até dizer as maiores alarvidades que lhe vierem à cabeça. Mas convém ter memória e autoridade moral para falar em violações da correspondência.  É por tudo isto que não se deve confundir o comentador com o Benfica. O clube merece mais respeito.


Comentários

  1. Muito bom, a luta é contra os parasitas que abundam no futebol Português e não contra os clubes sejam eles quais forem, pois os clubes não têm culpa de quem os dirige, devia haver mais jornalistas sérios a lutar contra a vergonha em que se transformou o futebol Português.
    Os meus parabéns à Revista Sábado e ao seu Diretor
    Carlos Lima

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