Top 10 jogadores que beneficiariam com um Mental Coach



A centenária História do Sporting Clube de Portugal está repleta de atletas com um talento inato indescritível mas que por um motivo ou outro não se conseguiram impôr ao mais alto nível no futebol sénior do Clube. O acompanhamento psicológico de atletas é uma vertente extremamente importante para capitalizar os activos e é fácil identificar um conjunto de jogadores que poderia ter ido muito mais longe com a devida dose de confiança. O próprio Rui Patrício admitiu recentemente beneficiar muito de um Mental Coach e está, neste momento, a fazer uma das melhores épocas de sempre.

Fica então o Top 10 de jogadores que teriam tido muito mais sucesso com um Mental Coach!


10 - Oriol Rosell


Dono do meio campo do Sporting Kansas City, fez 38 jogos na época 2012/13. Na Major League Soccer, sem a pressão das grandes ligas, jogava tranquilo. Quando chegou a Portugal viu-se obrigado a acelerar o ritmo e confrontado com algumas adversidades e perdeu-se um dos jogadores com mais capacidade de passe formados na cantera do Barcelona.

Esteve a época passada emprestado ao Belenenses, onde realizou quinze jogos, e este ano está no Portimonense onde parece estar a recuperar a alegria de jogar e a consistência que o caracterizava enquanto centro campista antes do bloqueio mental que sentiu ao representar um Clube com a dimensão do Sporting Clube de Portugal. Nesta aventura em Portimão já conta com dez jogos e um grande grande golo.

Rosell ainda tem mais um ano de contrato com o Sporting. Talvez seja interessante acompanhá-lo ao longo da época para perceber se continuará em crescendo e, caso aconteça, chamá-lo à pré-época para um "vai ou racha".


9 - Heldon




Internacional Cabo-Verdiano, Heldon foi contratado no mercado de Inverno da época liderada por Leonardo Jardim. Jogador de reconhecido Sportinguismo, estreou-se com a camisola Verde e Branco contra o Benfica no célebre jogo da lã de vidro. Quanto havia 1-0 no marcador tem um génio de lance que podia ter alterado toda a sua história no Sporting Clube de Portugal, infelizmente falhou o golo depois de ter feito o mais dificil e as suas exibições nunca estabilizaram.

O peso da camisola fez-se sentir em Heldon e acabou por ser emprestado sucessivamente a Córdoba, Rio Ave (7 golos, 10 assistências) e Vitória de Guimarães (2 golos, 6 assistências). Números relativamente positivos para um extremo rápido e que com confiança seria uma excelente alternativa a Gelson Martins.
A minha recomendação para o Sporting Clube de Portugal é que se renovasse com o jogador por mais uma época e que lhe fosse dada uma oportunidade de fazer uma época inteira sob a alçada de Jorge Jesus. Repare-se a maravilhosa assistência que fez para golo na mais recente deslocação do Guimarães a Marselha.




8 - Luc Castaignos


Quem acompanhou a carreira de Castaignos ficou chocado com a época anterior. O promissor avançado holandês chegou a Alvalade com bons números e, mesmo não sendo Bas Dost, parecia ter as características físicas e o talento para vingar no campeonato português.

Castaignos não foi feliz nas suas primeiras oportunidades e a concorrência de André para o lugar de segundo avançado começou a pesar na sua confiança. O jogo contra o Praiense, para a Taça, foi o pináculo dessa quebra de confiança. Foi titular, jogando setenta e oito minutos, sem conseguir fazer um golo. Para o seu lugar entrou André e, em doze minutos, fez dois golos (79' e 88'). Apesar de alguma instabilidade da equipa do Sporting na última época, Bas Dost nunca parou de marcar e as oportunidades para Luc Castaignos foram sendo cada vez mais escassas.

É pena que não tenha feito esta pré-época uma vez que reúne características físicas e técnicas para ser o suplente ideal de Bas Dost. Espero vê-lo na próxima pré-época com vontade de triunfar de Leão ao peito!

7 - Francisco Geraldes


O caso de Francisco Geraldes é bastante diferente de todos os outros mas é, acima de tudo, uma questão de mentalidade. Ninguém tem dúvidas do seu talento e das suas qualidades humanas mas há qualquer coisa em Geraldes que não o liga, para já, ao futebol competitivo. Estar a ler um livro num banco de suplentes não é próprio de um atleta que tem que estar focado no jogo que se irá desenrolar. No Sporting não pode haver espaço para pseudo-intelectuais.

As "enigmáticas" mensagens nas redes sociais também não ajudam ao seu caso. É certo que parece querer triunfar de Verde e Branco e os adeptos estão sedentos de o ver atingir o patamar de grande estrela do Sporting mas só quando humildemente enteder o seu lugar é que estará pronto para dar o salto que o tornará um ídolo do Sporting Clube de Portugal. Até lá, é só mais um miúdo amado pelos adeptos por parecer diferente dos outros.

6 - Gelson Dala


A grande promessa angolana não deixa os seus créditos por mãos alheias e tem, na equipa B, um golo a cada 108 minutos. Mas, sempre que foi chamado a jogar pela equipa A, não conseguiu fintar a ansiedade e acabou sempre por andar demasiado perdido em campo à procura de jogo, consequentemente o Sporting acabou por perder presença na área e os golos não apareceram.

Gelson Dala é magia em estado puro e alguém que o soubesse gerir emocionalmente faria com que a sua carreira atingisse o nível de outros avançados africanos de características semelhantes como, por exemplo, Samuel Eto'o.

5 - Bruno Paulista


Considerado no Brasil como um dos mais promissores médios defensivos da sua geração, Bruno Paulista não chega a somar dois mil minutos em toda a sua carreira. Entre Bahia, Vasco da Gama e Sporting (A e B), tem trinta e três jogos e apenas um golo.

A Bruno Paulista não falta mentalidade competitiva nem solidariedade para com a equipa mas tem uma enorme falha a nível de estabilidade emocional e a sua vida fora do desporto acabou por minar aquilo que podia ter sido uma carreira notável. O Sporting tem-no emprestado ao Vasco da Gama até ao final de contrato e, infelizmente, é mesmo a melhor opção.

4 - Alan Ruiz


O nome de Alan Ruiz estava-me sempre a aparecer na cabeça enquanto fazia a lista inicial de jogadores que poderiam beneficiar de uma espécie de Mental Coach mas, ao mesmo tempo, também me ia soando a uma enorme injustiça pois vejo em Alan Ruiz um dos melhores trequartista a actuar na Europa. O jovem argentino, em trinta e dois jogos pelo Sporting, conta com sete golos e cinco assistências e isso torna-o relevante.


Alan Ruiz demorou muito tempo a adaptar-se às ideias de Jorge Jesus mas terminou a época passada lesionado e isso foi um enorme passo atrás na sua afirmação. Aos poucos vai voltando a jogar mas ainda não atingiu aqueles níveis exibicionais pretendidos e a falta de amor mostrada por parte da bancada também ajuda.

Alan Ruiz é um caso típico de jogador que precisa de ser acarinhado para render.  Neste caso em particular, o apoio por parte da bancada pode gerar a confiança necessária para que Alan Ruiz volte às grandes exibições e se torne uma alternativa válida a Bruno Fernandes.

3 - Matheus Pereira


O primeiro lugar do pódio é atribuído a um jogador que apareceu ao mesmo tempo que Gelson Martins e, inclusivamente, mostrou muita qualidade e capacidade no drible em velocidade e um excelente remate. Infelizmente, por algum motivo, nunca se impôs e não foi por falta de oportunidade.

Matheus Pereira sofre de uma espécie de arrogância que não o tem deixado crescer enquanto jogador. A lição de humildade que está a ter em Chaves está a fazer maravilhas pela sua carreira. Luis Castro tem sabido metê-lo a jogar quando merece e sentá-lo no banco quando entende que o brasileiro não está no seu melhor e isso está a fazê-lo crescer. Bem acompanhado e com muito trabalho, Matheus Pereira chegará ao nível de jogadores como Nani.

2 - Jefferson


Cento e quatro jogos, quatro golos e VINTE E SETE assistências com a camisola do Sporting Clube de Portugal. Quando chegou ao Sporting, Jefferson era o melhor defesa esquerdo a actuar em Portugal e ninguém tinha argumentos para dizer o contrário.

Na segunda época, com a chegada de Jonathan Silva para competir com ele pela posição, Jefferson iniciou um perigoso período descendente de forma que foi sendo colmatado pelo extraordinário sentido posicional de Adrien Silva. Mas, mesmo em baixo de forma, Jefferson nunca foi irrelevante. Marcou golos e fez assistências decisivas na época em que o Sporting conquistou a Taça de Portugal.

Na terceira e quarta época, Jefferson contou com a concorrência de Zeegelaar e as suas exibições também foram oscilando entre o "interessante" e o "mau". Agora, no Braga, Jefferson soltou-se completamente e voltou aos níveis apresentados na época de Leonardo Jardim e porquê? Porque não tem concorrência para o lugar. Jefferson é um jogador, tal como Fredy Montero, cuja confiança é abalada pela concorrência directa e isso torna-o um risco para qualquer plantel. Mas que ninguém tenha dúvidas que, bom da cabeça, Jefferson seria um jogador tremendo!

1 - Iuri Medeiros


Que outro jogador poderia estar em primeiro lugar nesta lista que não Iuri Medeiros? A promessa vinda dos Açores e que nos fez a todos acreditar que havia um "Messi Português". Dono de um pé esquerdo e de uma visão de jogo invejáveis, Iuri Medeiros ainda não conseguiu triunfar de Verde e Branco.

Mas porque não triunfa Iuri Medeiros? Provavelmente por achar que o talento é suficiente para lhe garantir uma carreira. Mas... não é! É preciso muito mais transpiração do que inspiração para se sobreviver a um mundo onde todos os dias aparecem jogadores com talento e potencial. Não entender isso está a bloquear a carreira de Iuri Medeiros e a atrasar a sua evolução enquanto jogar.

Provavelmente ainda não será tarde demais para Iuri provar que é mais do que um bom pé esquerdo e que ainda pode dar muito ao Sporting Clube de Portugal e ao Futebol Português. Mas, para isso acontecer, é necessário que Iuri ultrapasse as suas barreiras psicológicas e coloque em campo o talento que todos sabemos ter.

Fechamos assim o Top 10 de jogadores que beneficiariam com um Metal Coach ou outro tipo de acompanhamento psicológico. É claro que isto do Mental Coach é importante para incutir mentalidade forte mas não nos devemos nunca esquecer que o melhor Mental Coach é o próprio atleta. Veja-se o exemplo de Cristiano Ronaldo que ultrapassa toda e qualquer adversidade recorrendo à enorme vontade de triunfar. E não há melhor driver para alguém que a vontade de ter sucesso.




Comentários