Nuno Saraiva arrasa Director do Correio da Manhã



"Há hoje um cretino que publica num jornal um arrazoado de alarvidades e preconceitos sobre o Gelson Martins e o Ruben Semedo. Escreve o imbecil, travestido de glicodoce mas eivado de preconceito, que os jovens nascidos e criados em bairros pobres da periferia, salvo “um ou outro abençoado por Deus (…), caminham desde pequenos para um semiesclavagismo, de onde escapam os que preferem a via-rápida do crime”. É, antes de mais, por generalizações racistas como estas – sim, porque só falta dizer que ‘são pretos, logo são marginais’ – que se fazem julgamentos populares intoleráveis na praça pública. Conhecerá o ignorante, só para dar três exemplos, as origens periféricas de Kalaf Ângelo dos Buraka Som Sistema em Benguela? Ou as de Eusébio da Silva Ferreira na Mafalala onde nasceu e cresceu? Ou as de Mónica Frechaut – psicóloga com carreira reconhecida ao nível social e irmã de um antigo futebolista internacional português – no bairro da Bela Vista em Setúbal?

Não está, naturalmente, em causa – isso ninguém pode questionar – a atitude irrefletida do Gelson. O que importa discutir é a dimensão humana e o carácter de um jovem bem formado que não deixa cair ou abandona um amigo que vive momentos delicados. E isso, o escriba idiota não deve saber o que é, até porque amigos é coisa que não deve ter. Aliás, em vez de se arvorar em beato moralista e em polícia de condutas alheias, bom seria que olhasse para dentro da sua própria casa e fizesse um exame de consciência – se é que a tem – à quantidade de vidas que o seu pasquim já destruiu, tão somente, pela violação sistemática das mais elementares regras da ética e da deontologia jornalística.

O sujeito, Octávio Ribeiro, já julgou e condenou, no seu pelourinho, Ruben Semedo e, por arrasto, Gelson Martins, numa inversão completa do ónus da prova, partindo da premissa inaceitável no nosso Estado de Direito de presunção de culpabilidade em vez da elementar presunção de inocência. Mas que outra coisa seria de esperar da pena de quem dirige o Correio da Manhã, expoente maior das milícias populares da calúnia e dos tribunais de opinião pública?

Atreve-se, armado em educador, a sugerir um psicólogo ao Gelson que lhe transmita os valores que a escola pública e o Clube não lhe deram. A única coisa que me ocorre dizer sobre isto é simples: tomara o boçal ter uma grama do carácter, dos valores, dos princípios e da boa educação que tem o Gelson. Talvez assim pudesse ser um exemplo para quem ainda perde tempo a lê-lo. Mas, enfim, está mais do que visto que nunca passará de um cretino.", Nuno Saraiva


Comentários

  1. Concordo em absoluto, este octávio ribeiro é um autêntico verme. Eu tinha acabado de ler um artigo de Nuno Santos também sobre o Gelson Martins e, de facto, comparar a diarreia verbal deste lampiolho racista com o artigo do Nuno Santos é como comparar, desculpem-me a expressão, um cagalhão com um pastel de Belém.
    Sinceramente, acho que, nesta situação muito especial o Gelson não deveria ser castigado pois é uma demonstração de amizade a um amigo a atravessar uma fase muito difícil, um episódio extra futebol que devia ser compreendido e tratado como tal não dando lugar a uma penalização que, apesar de legal é profundamente injusta.

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  2. Parece mesmo que o melhor é nem ligarmos "ao vómito" do "otário merdeiro"

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